BRASILEIRA GANHA DINHEIRO LEVANDO GRÁVIDAS PARA COMPRAR ENXOVAL NOS EUA

Melissa Biscoto atua como personal shopper, ajudando futuras mamães a comprar roupas e acessórios, que servem para bebês de até 1 ano
curitibana Melissa Biscoto, de 38 anos, desembarcou nos Estados Unidos em 2008. Seu marido havia sido transferido para trabalhar em Seattle. Após um tempo morando lá, ela começou a pensar em abrir seu próprio negócio. Como tinha experiência no setor de roupa infantil, a brasileira decidiu, mesmo vivendo nos EUA, abrir uma empresa no Brasil.
Ela trabalhava apenas com representantes brasileiros de roupas e acessórios infantis.  Voltava para o país para participar de algumas feiras, mas essas viagens frequentes foram se tornando cansativas. “Na época, minha filha era pequena, então decidi fechar a empresa”, diz a empreendedora. Apesar de desistir do seu negócio no Brasil, ela não deixou de empreender.
Como seus amigos sempre pediam produtos americanos por encomenda, a curitibana começou a pensar nisso como um negócio. No início, ela atendia os clientes informalmente, mas logo os pedidos começaram a crescer e ela abriu a Mel Shopper, nos Estados Unidos, há três anos. A empresa está em Miami e atende também em Orlando.
Atendimento personalizado
Os chamados personal shopper estão virando tendência no mercado. Principalmente entre as grávidas. Esses profissionais fazem roteiros personalizados para os brasileiros comprarem nos EUA. Esse é o serviço que a empresa da Melissa oferece.
A empreendedora trabalha apenas com o setor de enxoval para bebês. A primeira etapa do seu atendimento começa ainda no Brasil. Ela pede para os clientes responderem um questionário sobre suas preferências pessoais e envia uma lista com itens importantes para as crianças de até 1 ano.
O segundo passo é conversar com os clientes para analisar o que se encaixa no orçamento deles. “Não vou recomendar uma máquina de papinha a vapor, se a pessoa tiver um orçamento muito restrito”, afirma a empresária. Para ela, itens como esse não são tão prioritários como o carrinho do bebê, mamadeira e babá eletrônica.
Há possibilidade de assessoria remota, em que os clientes não precisam viajar e a empresa envia os produtos via transportadora. E também a de atendimento presencial. Nesse caso, a equipe pode buscar os clientes no hotel e levá-los às lojas. A empreendedora oferece pacotes de dois a três dias. São cinco horas de compras cada dia.
O roteiro já é definido e personalizado de acordo com o orçamento dos consumidores. “É muito difícil trabalhar nesse setor, porque lidamos com os sonhos das pessoas. Às vezes, as mamães gostam de produtos, que não se encaixam no orçamento e temos que buscar alternativas”, diz.
Segundo a empreendedora, para fazer um enxoval de roupas e acessórios para o bebê custa em média US$ 3 mil (R$ 11 mil). A principal dúvida dos consumidores é com relação à oscilação do dólar, se realmente vale a pena ir fazer compras nos Estados Unidos, se o real estiver desvalorizado.
Melissa explica que mesmo com o câmbio desfavorável, os produtos nos Estados Unidos continuam sendo mais baratos em relação ao mercado brasileiro. Até se for considerar o valor pago na tributação.
Em média, a empresa atende 25 mamães por mês. Seu faturamento gira em torno de US$ 5.700 por mês (R$ 22.170). Para a empresária, um dos maiores desafios é fazer as pessoas conhecerem o trabalho do personal shopper. “Elas pensam que é caro, mas conseguimos abater esse valor nos descontos que temos nas lojas”

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